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Diário de viagem · fevereiro de 2020

Dream Travel: uma volta ao mundo com milhas

Antes de o mundo parar, a gente foi viver.

Por Ramon Ferraz · com Yara

Publicado em · Atualizado em

Quando olho as fotos daquela viagem, não vejo apenas os lugares. Vejo nós dois descobrindo o que existia depois da próxima conexão. O mar de Phuket. Os templos do Camboja. A noite de Bangkok. Um caiaque nas Filipinas. Paris no inverno. E a sensação de que aquele sonho, que parecia tão distante, estava acontecendo de verdade.

Era fevereiro de 2020. Eu e Yara estávamos vivendo a nossa Dream Travel, uma volta ao mundo que ganhou um significado ainda maior quando voltamos para casa e a pandemia mudou tudo. A gente não sabia o que estava por vir. Sabia apenas que queria fazer aquela viagem juntos.

Todas as nossas passagens foram emitidas com milhas. Na maioria dos trechos, voamos em classe executiva. E todos os hotéis também foram resgatados com milhas e pontos. Não foi só uma passagem especial no meio do caminho: foi a forma como desenhei a viagem inteira.

Mas o que eu quero contar aqui não é uma coleção de saldos. É o que aconteceu quando esses pontos deixaram de ser números e viraram tempo juntos.

Doha

Uma escala que não ficou no aeroporto

Sair de Salvador e chegar a Doha já mudava tudo ao redor: a arquitetura, os sons, a comida, o jeito de olhar a rua. Em vez de tratar a conexão como um intervalo perdido, colocamos a cidade dentro da viagem.

O Souq Waqif à noite ficou entre essas primeiras lembranças. Yara parava para fotografar; eu, às vezes, parava para olhar a alegria dela. Dividir a mesa, experimentar sabores diferentes e caminhar sem a pressa de voltar para uma rotina conhecida era exatamente o que a gente tinha ido buscar.

Ali já aparecia uma ideia que atravessaria o resto do caminho: não bastava chegar a muitos lugares. Eu queria que a gente estivesse de verdade em cada um deles.

Doha · fotografia da nossa Dream Travel

Phuket

Na Tailândia, a gente aprendeu a diminuir o ritmo

Antes dos templos e das grandes cidades, veio Phuket. Praia, café demorado, tempo para ler e olhar o mar. De uma viagem tão cheia de destinos, talvez alguém esperasse uma agenda ocupada do começo ao fim. Eu queria justamente o contrário: espaço para aproveitar.

O passeio de barco e as paisagens de Phang Nga Bay ficaram guardados na memória. Assim como as fotografias da Yara sorrindo para o vento. Nem tudo o que marca uma viagem precisa ter hora marcada.

Hoje, quando penso em um roteiro, volto a essa sensação. Descanso não é um buraco na programação. É parte do que faz a experiência caber na vida de quem viaja.

Phuket · fotografia da nossa Dream Travel

Siem Reap

O Camboja foi daqueles lugares que fazem a gente parar

Angkor Wat não ficou na memória só pela fotografia. Ficou pelo silêncio de estar ali cedo, vendo a luz mudar entre as torres. Eu e Yara, que tínhamos tanto para conversar durante a viagem, passamos um tempo simplesmente olhando.

Em Ta Prohm, as raízes e as pedras pareciam disputar o mesmo espaço. Houve fotos, uma pausa diante dos macacos no portal e aquela mistura de curiosidade e gratidão que é difícil explicar depois.

Não consigo reduzir o Camboja a uma lista de atrações visitadas. O que ficou foi a maneira como o lugar nos fez prestar atenção. É uma diferença enorme entre passar por um destino e levar alguma coisa dele com você.

Siem Reap · fotografia da nossa Dream Travel

Bangkok

Luzes, templos e uma lembrança que voltou na bagagem

Bangkok mudou o volume da viagem. Depois da calma dos templos do Camboja, vieram as ruas acesas, o movimento e a vontade de descobrir o que havia na próxima esquina. O Wat Arun e o Grand Palace tinham detalhes que faziam Yara parar a cada poucos passos para fotografar.

Também fomos para uma aula de culinária. Pad thai, curry, manga com arroz doce: dessa vez, a lembrança não seria só provar, mas aprender um pouco do caminho até o prato.

Trouxe um pilão de pedra para casa. Gosto dessa parte de viajar: um objeto deixa de ser apenas um objeto. Vira uma forma de voltar àquele dia sem sair da cozinha.

Bangkok · fotografia da nossa Dream Travel

Filipinas

Um caiaque, água transparente e nós dois

Nas Filipinas, El Nido trouxe outro tipo de surpresa. Paredões rochosos, lagoas e um azul que nas fotografias ainda parece difícil de acreditar. A imagem do nosso caiaque amarelo continua entre as minhas preferidas.

Não por ter sido planejada como uma grande fotografia. Mas porque tem tudo o que eu reconheço naquela viagem: a gente junto, curioso e feliz por ter chegado até ali.

Quando falo que milhas podem virar experiências, penso muito nessa imagem. A recompensa não era manter o maior saldo possível. Era poder estar naquele lugar com quem eu queria.

Filipinas · fotografia da nossa Dream Travel

Seul

Outra cidade, outro jeito de viver

De El Nido para Seul, o contraste foi parte da graça. Saímos da paisagem das lagoas para caminhar entre prédios, palácios e ruas com um ritmo completamente diferente. Teve passeio, comida coreana e a curiosidade de observar uma cidade que não parecia com as anteriores.

O frio também mudou a bagagem — e as fotos. Mas ainda havia um capítulo da Ásia que eu estava especialmente animado para viver. Dessa vez, ele começaria no embarque.

Seul · fotografia da nossa Dream Travel

O voo também era o destino.

De Seul para Paris, embarcamos na executiva da Korean Air, em um avião de dois andares. Eu já estava feliz com tudo o que tínhamos vivido. Mas aquele voo era uma daquelas experiências que eu queria guardar como parte da viagem, não apenas como o transporte até a Europa.

A poltrona, a refeição com calma e o tempo para descansar deram outro sentido àquelas 12h30. Nas fotos da cabine, reconheço a satisfação de estar vivendo algo que antes era uma possibilidade distante.

Foram 172.000 milhas Smiles para nós dois nesse trecho — uma média de 86.000 por pessoa. Um capítulo entre muitos resgates da Dream Travel. Não é uma promessa de repetir hoje o mesmo valor; é uma lembrança concreta do que conseguimos fazer.

O mais marcante não foi poder dizer que voamos de executiva. Foi perceber que o caminho também podia ser uma das melhores partes da viagem.

Paris

Chegar era o plano. Caminhar juntos foi a melhor parte

Paris veio depois de tantas mudanças de cenário que parecia uma nova viagem dentro da mesma. Caminhar, sentar num café, olhar as ruas sem precisar transformar cada minuto em uma obrigação: era isso que a gente queria viver ali.

O Louvre, Montmartre e as luzes da cidade entraram nas nossas lembranças. Mas o que me faz voltar às fotos não é apenas reconhecer Paris. É reconhecer nós dois naquele momento.

Foi também olhando para essa viagem que a vontade de voltar a alguns lugares com os filhos ganhou sentido. Não para repetir exatamente o que fizemos, mas para descobrir o que muda quando a família muda.

Paris · fotografia da nossa Dream Travel

Lisboa

A última parada não encerrou a história

Lisboa foi nosso caminho de volta. Depois de tantas línguas, sabores e paisagens, havia um prazer diferente em caminhar, sentar para um café e conversar sobre tudo o que tínhamos vivido.

A viagem estava terminando, mas já tinha deixado algo maior do que uma sequência de destinos. Tinha mudado a dimensão dos nossos planos.

Voltamos antes de a pandemia mudar o mundo. Não foi previsão. Foi uma viagem que conseguimos realizar naquele momento. Hoje, as fotos me lembram de uma coisa simples: os planos que a gente tira do papel podem se tornar histórias que acompanham a vida inteira.

Lisboa · fotografia da nossa Dream Travel

E os hotéis? As milhas também abriram essas portas.

Todos os hotéis dessa viagem foram pagos com milhas e pontos. A hospedagem fazia parte da mesma estratégia das passagens, não era uma conta esquecida para resolver depois.

Para mim, a escolha não se resumia ao nome do hotel. Importava como seria acordar ali, chegar depois de um passeio e sair para conhecer o destino. Usar pontos para hospedar a gente fazia parte de desenhar a experiência inteira.

Isso não quer dizer que viajar com milhas seja viajar sem custos. Existem taxas, o custo de formar os pontos e as despesas do caminho. O que essa história mostra é o que conseguimos construir com planejamento, escolhas e resgates.

As milhas acabaram virando uma forma de cuidar do caminho.

A Dream Travel ajuda a explicar a Cooee. Minha história não começa numa vitrine de destinos. Começa viajando, prestando atenção e descobrindo o quanto a organização pode melhorar o tempo que a gente passa junto.

Não quero desenhar a mesma viagem para todo mundo. Quero entender o que faz sentido para cada família: onde vale ficar mais, onde cabe uma pausa e o que merece um esforço a mais para acontecer.

A melhor lembrança dessa volta ao mundo não é o total de milhas que saiu das contas. É tudo o que entrou na nossa história.

Japão ou Aurora Boreal? Nosso próximo capítulo ainda está sendo escrito.

Agora, o olhar é de família. Entre os planos que estamos estudando estão o Japão e a Aurora Boreal. São possibilidades para uma próxima viagem, não duas viagens confirmadas.

Quero contar esse caminho desde antes do embarque: o que a gente deseja viver, como escolhe os destinos, como prepara as milhas e o que muda durante o planejamento. Depois vêm as experiências e as memórias. Uma história completa, não apenas a foto de quando tudo já deu certo.

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